
As eleições de 2010 representaram um golpe para prefeitos de capital que planejam dar o salto até o governo do Estado. Pela primeira vez, dois deles ficaram sem cargo depois de abandonarem a prefeitura no meio do mandato para tentar a “promoção”.
Wilson Santos (PSDB), ex-prefeito de Cuiabá, foi derrotado no primeiro turno, ficando em terceiro lugar na disputa pelo governo de Mato Grosso. Já Íris Rezende perdeu neste domingo (31) o segundo turno para o governo de Goiás, depois de deixar incompleto o mandato de prefeito de Goiânia. Ambos estavam no segundo mandato consecutivo nas capitais de seus Estados.
Mesmo Beto Richa (PSDB), que teve sucesso ao deixar a prefeitura de Curitiba para tentar o governo do Paraná, enfrentou uma disputa mais acirrada do que a que normalmente é encarada por quem tenta o mesmo movimento. Ele conquistou o governo no primeiro turno, com apenas 4,88 pontos percentuais a mais que a soma dos adversários, depois de aparecer atrás do adversário Osmar Dias (PDT) em algumas pesquisas.
Outro ex-prefeito que penou para vencer foi Ricardo Coutinho (PSB), que administrou João Pessoa até 31 de março passado. Ele derrotou neste domingo o governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), com 53,7% dos votos, mas no primeiro turno os dois haviam praticamente empatado – Coutinho com 49,74% e Maranhão com 49,30% dos votos válidos.
Apesar da ambição de tentar passar para um degrau mais alto nos cargos políticos, os prefeitos costumam ser cuidadosos ao dar o salto para o governo do Estado. Devido à distribuição das eleições no Brasil, uma derrota nesses casos significa abandonar mais de dois anos de poder garantido na cidade. Muita pesquisa e cálculo político fazem com que essas iniciativas sejam tomadas só quando a probabilidade de vitória é muito alta.
José Serra (PSDB), por exemplo, deixou a Prefeitura de São Paulo em 2006 e conquistou o governo paulista no primeiro turno, com 57% dos votos. Pesquisas e pressão de aliados para manter os tucanos no poder estadual fizeram o então prefeito quebrar até o compromisso firmado de não concorrer ao palácio dos Bandeirantes.
O único caso recente de político que “errou” no cálculo e perdeu a eleição estadual depois de abandonar a prefeitura de uma capital era o de Tarso Genro (PT), que em 2002 foi derrotado na disputa pelo governo gaúcho tendo deixado incompleto o mandato em Porto Alegre.
A trajetória de Genro pode servir de consolo a Wilson Santos e Iris Rezende: oito anos depois da derrota, ele foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno, no último dia 3 de outubro.
