
Até as crianças têm receio de pedir para fotografar ao seu lado: “Sou um bruto que procura a lapidação”
Rude, grosseiro, irascível, polêmico… A série de adjetivos associada ao apresentador José Luiz Datena segue essa linhagem pouco amistosa. Sua coleção de inimigos que o diga – a briga mais recente foi com Ronaldo Fenômeno.
Pessoa do tipo ame ou odeie que há 12 anos atingiu a notoriedade no comando de programas pautados na exploração da violência e na espetacularização da desgraça alheia, esse paulista de Ribeirão Preto vai mais longe: “Acho que sou louco”, diz em entrevista recheada de palavrões. De origem humilde, Datena construiu uma carreira que inclui a liderança de audiência de um canal aberto e um salário mensal de R$ 500 mil. Aos 53 anos, o apresentador, por sua vez, faz uma autocrítica rigorosa de sua trajetória. Há 33 anos casado com Matilde, diz que foi mulherengo. Pai de cinco filhos, assume ter sido ausente. Pior: culpado pelo vício de drogas de um deles. Mas hoje diz ter o sentimento de missão cumprida. Datena iniciou a carreira como repórter esportivo. Na Band, além do “Brasil Urgente”, ele apresenta o “SP Acontece”, na hora do almoço. Na rádio Bandeirantes, de manhã, está à frente do “Manhã Bandeirantes”.

“Já fui uma máquina no sexo, hoje faço duas vezes por semana. Sou nota 4. De vez em quando, dou uma brochada. Aí, tomo Viagra”

“Tenho seis carros e não dirijo nenhum. Comprei um Audi R8 (R$ 555 mil). Três meses depois, dei área nele”
Confira abaixo uma entrevista que a Revista Istoé fez com o apresentador:
Por que tatuou Cristo no antebraço?
Tive de passar por uma cirurgia, há cinco anos, por conta de um tumor no pâncreas e foi cortado metade do meu pâncreas e extraído o baço. Os caras (médicos) me salvaram a vida, mas me f… pra c… Tomei morfina e o c… Tatuei porque os caras lá de cima me ajudaram mais ainda. Eu tinha certeza de que iria morrer. Ao acordar da operação, vi um p… rasgo na barriga, sonda em todos os orifícios. Foi uma operação de 12 horas, perdi 25 quilos em dez dias, um negócio.
E até hoje o sr. faz algum acompanhamento?
Nunca mais entrei no hospital. Teria de fazer exames a cada seis meses. Fui para o hospital sem ter p… nenhuma e os caras cortaram metade da minha barriga, quase morri, a minha qualidade de vida piorou pra c…, a minha libido. Só vou para hospital se estiver desmaiado. Fujo para c…! Mas preciso operar uma hérnia. Ela apareceu porque voltei a trabalhar com o dreno pendurado. No buraco do dreno nasceu a hérnia.
Não tem medo de morrer?Adoraria ter um infarto e empacotar agora. Se Deus me perguntasse se eu preferiria morrer hoje de noite ou viver mais 30 anos, eu escolheria a primeira. Porque tenho a mente em paz e iria tranquilo. A existência não se mede por cronologia, mas por qualidade de vida e pelos seus atos. O tanto que já bebi, sempre fui um alcoólatra até não poder beber mais… já sou um sobrevivente, não devia ter passado dos 50 anos. Estou numa hora extra monstro! O problema não é a morte, mas o que passei no hospital.
O sr. citou a libido prejudicada pela cirurgia. Faz sexo todo dia?Já fui uma máquina no sexo, hoje faço duas vezes por semana, no máximo. De vez em quando eu dou uma brochada, aí tomo um Viagra para fazer uma graça. Minha libido diminuiu após a operação. Sou nota 4. Se eu pudesse tomar remédio todo dia, eu faria. Agora, você acha que a minha mulher, depois de me aturar 40 anos, vai querer todo dia? E acha que eu, depois de apresentar o “Brasil Urgente” todo dia, consigo?
Como faz para relaxar?Tenho frequentado shoppings. Não gosto nem de tirar férias. Na última, fiquei no apartamento que tenho no Costão do Santinho, em Santa Catarina. Descurti viajar. E olha que, se der um tsunami na costa atlântica do Brasil, eu me f… porque tenho muita casa em praia. Tô me tornando um Michael Jackson – sem comer criancinha! –, mais recluso. No fim de semana passado, fiquei em casa, quase chamei um funileiro para me tirar do sofá. Minha mulher vive o mesmo regime semiaberto que eu. Ela teve encefalite três anos atrás e também não tem disposição de sair.
Encefalite não é pouca coisa também, hein?A minha mulher sobreviveu por milagre. Teve uma meningite que evoluiu para encefalite e o problema saiu da meninge e foi para o cérebro. A Tide (Matilde) passou 40 dias no hospital, tratada com antiviral e antibiótico. Correu risco de morte. Eu morreria junto, se isso acontecesse. Sou física, psíquica e espiritualmente dependente dela.
Houve um tempo em que você e sua esposa ficaram separados.Nos separamos por três anos, tive dois filhos com outra mulher, depois voltei com a Tide e ela me aguenta até hoje. Atualmente, sou muito calmo. Mais moleque, era terrível, saía com a putaria e chegava tarde em casa. Estamos 40 anos juntos. Casados, há 33.
Fez dois filhos em três anos?
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