
Olá pessoal! Está no ar mais um “Leitura em Foco”. Hoje falaremos sobre o livro “O Mandarim”, de Eça de Queirós. Vamos lá?
Um dos mais importantes escritores lusos, Eça de Queirós, ao longo de sua carreira, publicou cerca de 30 obras. De modo singular, molda seus trabalhos com maestria.
Em “O Mandarim”, torna-se perceptível um conjunto de fantasias e inverossimilhanças. Por ser antagônico à tendência estética dominante em 1880, analista e experimental, não foi visto com bons olhos.
Monotonia, finanças modestas, existência rotineira e medíocre fazem parte do cotidiano de Teodoro, bacharel e amanuense do Ministério do Reino. O personagem principal anceia por uma vida recheada de riquezas e prazeres.
Ao ler o capítulo “Brecha das Almas” de um antigo livro, o funcionário público, convencido por um ser enigmático, mata o Mandarim, transformando-se em herdeiro de sua vultosa fortuna. A partir de então, a luxúria ganha predominância e uma aventura demasiadamente instigante principia.
Culto ao incomum das paisagens e civilizações, alegorias e teor moralizante são as características centrais do exemplar.
O autor, em carta enviada ao editor da Revue Universelle, discorreu sobre o romance: “Um conto fantasista e fantástico, onde se vê ainda, como nos bons velhos tempos, aparecer o diabo, embora vestindo sobrecasaca, e onde há ainda fantasmas, embora com ótimas intenções psicológicas. Entretanto, justamente porque esta obra pertence ao sonho e não à realidade, porque ela é inventada e não fruto da observação, ela caracteriza fielmente, ao que me parece, a tendência mais natural, mais espontânea do espírito português.”
Neste livro, Eça, de maneira perspicaz, produz uma narrativa sobre a ganância, o interesse que domina as relações entre os indivíduos e, ao término, enfatiza que o crime, de fato, não compensa. Uma crítica sócio-política formidável. Recomendo!





