‘Amor e Revolução’ tem boa história e nenhuma dramaturgia


'Amor e Revolução' fala sobre a época da ditadura militar. Foto: SBT/Divulgação

Foram poucas as vezes que a ditadura militar brasileira foi tema de telenovelas, caso de Amor e Revolução, que o SBT estreou segunda passada. Em 1993, a Globo chegou a exibir Anos Rebeldes, em dimensões de minissérie. E a Record apresentou em 2006 a novela Cidadão Brasileiro que, em uma de suas fases, tinha os Anos de Chumbo como pano de fundo. E, claro, antes disso muitos folhetins falaram metaforicamente da ditadura. Uma maneira de ludibriar a censura tacanha com críticas veladas ou mais escancaradas, como na fantástica Saramandaia, de 1976.

Outras produções não tiveram a mesma sorte e foram totalmente vetadas, a exemplo deRoque Santeiro, em 1975. Mas, em sua maioria, eram mutiladas com cortes de cenas ou de capítulos inteiros, a exemplo de Irmãos Coragem, de 1970, O Bem-Amado, de 1973, Gabriela, de 1975, Guerra dos Sexos, de 1983, Vereda Tropical, de 1984, entre muitas outras.

Amor e Revolução vai demorar um pouco para engatar. Os primeiros capítulos, como é costumeiro acontecer, simplesmente apresentam os personagens e prenunciam o que vai acontecer. O episódio de estreia, em especial, foi uma grande “trailer” no qual o autor Tiago Santiago e o diretor Reynaldo Boury tiveram de socar todos os acontecimentos que antecederam o golpe de Estado. Evidentemente tudo ficou confuso, superficial e sem grande verdade histórica.

Mas ficção não é documento e a novela não tem a menor obrigação de ser um relato fidedigno do que houve no Brasil – e no mundo – nos anos 60 e depois. E também fica como licença poética uma série de equívocos na reconstituição de época, como a ausência do rádio como o meio de comunicação mais difundido, um figurino e uma cenografia um tanto frouxos, locações duvidosas e um elenco mais do que corpulento para uma década onde quase todos eram magrinhos e de cara chupada. Os corpos obesos ou malhados de 2011 dão outro visual.

Também fica por conta do “estilo de época” as explosões espetaculares provocadas por granadas de mão com a força de bombardeio aéreo. E tiroteios de dar inveja a um Duro de Matar. Felizmente perseguições de carro ficaram de fora, assim como devem ficar longe do vídeo o merchandising mais descarado.

Nada disso é problema de verdade em um bom folhetim. O que incomoda realmente em Amor e Revolução é quase completa ausência de dramaturgia, aqui entendida como a totalidade dos recursos narrativos e interpretativos que autor, diretor e elenco dispõem. Isso ficou claro na preferência da edição em diálogos dos personagens em plano e contraplano, quer dizer, em imagens isoladas dos atores, que não interagem em um mesmo enquadramento. Em resumo, faltou contracenar.

Mauro Trindade – Portal Terra

 

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3 Comentários

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3 Respostas para “‘Amor e Revolução’ tem boa história e nenhuma dramaturgia

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  2. Bruno

    O pior de amor e revolução é o publico do sbt e diferente da globo.. e mais familia ou pessoas que nao gostam de cenas apelativas.. Amor e Revolução poderia ser uma versão da emissora paulista de tropa de elite.. muito apelativa logo no primeiro capitulo cenas muito fortes de sexo desnecessarias .. além realmente da trilha sonora as vezes ser algo pifio.. se exagerou e muito tem historia boa mais.. excessos como poderia ser algo que até adolescentes poderiam assistir para conhcer um pouco da historia do pais porem se perde muito com o sexo , e umas cenas sem noção… não duvido de no dia que rolar o beijo gay tb ser (?)….

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